Estive algum tempo sem escrever mas estou de volta com mais uma lenda. Da última vez falei-vos dos 7 Deuses da sorte e da Fortuna, esta semana vou falar-vos de outro Deus e, devo dizer, que este não trás lá muita sorte… A lenda que vos trago hoje é sobre o Binbōgami, o Deus da Pobreza. Já imaginaram como seria viver na mesma casa que o Deus da pobreza? Não!? A família da lenda de hoje teve essa experiência…
Querem saber o que aconteceu?? Então cliquem em “Ler Mais”…
Há muitos anos, no Japão, vivia uma família, que apesar de pobre, era trabalhadora e esforçada. Desiludidos pela sua situação permanente resolveram deixar de se esforçar e trabalhar. Quando o inverno chegou já não restava nada que pudessem comer e todos estavam esfomeados.
Foi então que um dos filhos disse:
– Pai, não há mesmo nada que possamos comer? Estamos com muita fome.
– Desculpa meu filho. – Respondeu o pai- Como eu e a vossa mãe não trabalhamos durante este ano não temos nada para comer. Porém esta noite, e se vocês concordarem, iremos tentar a vida noutro lugar.
Os filhos concordaram e, assim, a família começou a preparar-se para partir. Três dias foram necessários para arrumar as malas, e separarem tudo que iriam levar. Na noite que antes da partida o patriarca viu um ser estranho e, enfrentando o medo que sentia, perguntou:
– Quem és tu? O que fazes aqui?
– Ora! Eu sou o Binbōgami, o Deus da Pobreza, e moro aqui. – Respondeu o ser estranho, que era meio homem e meio oni (demônio).
– Binbōgami?
– Sim. Vivo há muitos anos com vocês, mas vocês nunca me viram.
– E o que estás a fazer agora? – Perguntou o homem
– Eu vou-me embora com vocês, por isso estou a preparar sandálias de palha de arroz para mim. A viagem pode ser longa.
Surpreendido com tudo aquilo, o homem contou detalhadamente o que tinha acontecido à sua esposa. Ambos sabiam que, mesmo que mudassem de casa várias vezes, iriam continuar a viver na miséria, pois o Binbōgami iria sempre acompanha-los. Por isso, decidiram não sair de casa e continuar a viver onde sempre tinham vivido.
Quando o novo dia nasceu, o Binbōgami já estava esperando a família à entrada, pronto para partir, mas a família não aparecia. O dia passava e a viagem nunca mais começava. Entediado o Deus da Pobreza começou a fazer mais e mais sandálias. No dia seguinte, aconteceu a mesma coisa e, ao ver que a família demorava, o Binbōgami continuou seu trabalho. E foi assim durante alguns dias, até que acabou por fazer muitas sandálias.
Tal era o capricho do Deus que os vizinhos, ao verem as sandálias prontas elogiavam o seu trabalho, dizendo que eram muito bem confeccionadas e perfeitas para andar na neve. Entusiasmado com os elogios, o Deus da Pobreza passou a produzir ainda mais sandálias.
Ao ouvir os elogios, o patriarca resolveu vender as sandálias feitas pelo Deus. Então colocou as sandálias numa bagagem e levou-os até o centro do vilarejo, onde as trocou por mantimentos e dinheiro. Porém, lembrou-se que, se o Binbōgami continuasse a morar com eles, de nada ia adiantar ganhar algum dinheiro pois, mais tarde ou mais cedo, iria perde-lo. Então, resolveu livrar-se de vez do Deus.
O jantar foi cheio de iguarias e sake. O Deus da Pobreza também tinha sido convidado para festejar com a família mas, sentindo-se desconfortável com toda aquela fartura disse:
– Agora que vocês têm muito dinheiro, eu não posso continuar a viver nesta casa. Só vou aceitar um pouco de sake e parto ainda esta noite.
Assim, pouco depois, calçou um par das suas sandálias de palha e partiu. A família, feliz, comemorou o resto da noite. Finalmente parariam de passar fome.
Antes de dormir, o pai resolveu tomar um banho quente para amenizar o efeito do sake. Porém, no corredor, deu de caras com o Binbōgami.
– Mas, ainda estás aqui? – perguntou o homem.
– Eu fui para outra casa, mas senti saudades da nossa harmonia, por isso resolvi voltar.
O casal entreolhou-se e pensou: “O que vamos fazer? Será que o nosso destino é morar sempre com o Deus da Pobreza? Pensando bem, já estamos acostumados com a sua presença aqui”.
Assim, a família aceitou a presença do Binbōgami, que passava o dia inteiro a fazer sandálias e a beber sake. Como a produção era grande, concluíram que depressa iria faltar palha de arroz para fazer as sandálias e dar continuidade ao trabalho. Então, o casal resolveu semear arroz, para poder aproveitar a palha.
Passaram alguns meses, e o arrozal não só produziu belas palhas, como enormes cachos de arroz.
– Pelo menos sabemos que, agora, não vai faltar arroz para comer – disse o dono da casa para a esposa. – Acho que, sobre o efeito alcoólico do sake, o poder empobrecedor do Binbōgami foi amenizado.
Conta-se que esta família nunca chegou a ficar rica com a venda das sandálias e do arroz, mas pelo menos nunca mais faltou dinheiro e viveram felizes para sempre.
Na Ficção:
- No anime Binbō-gami ga!, a personagem Momiji é uma Binbōgami.
- Ebisu Kofuku, de Noragami, também é uma Deusa da Pobreza.

E pronto, chegamos ao fim de mais uma lenda. O que acharam?
Se têm problemas de dinheiro procurem pelo Binbōgami e, se tiverem sorte como esta família, pode ser que consigam diminuir o poder empobrecedor do Deus.
Já sabem, se tiverem dúvidas ou sugestões podem deixá-las nos comentários… E não se esqueçam seguir o nosso blog no Facebook.
Bye bye!
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